Cultura

Impressões Literárias: “O Diário de Anne Frank”

Olá caro leitor do Misturaiada,

Abrindo a seção de “Impressões Literárias” trago para vocês O Diário de Anne Frank, que é considerado uma das obras de maior importância do século XX. Um livro realmente tocante e de leitura obrigatória.

O motivo para eu escolher esse livro dentre tantos outros na prateleira da livraria foi a viagem que fiz para a Europa entre julho e agosto de 2010 com mais  três amigos, pois um dos lugares que conhecemos nessa viagem foi a cidade de Auschwitz na Polônia, cidade que abrigou os campos de extermínio de Hitler mais conhecidos no pós-guerra.

Em Auschwitz havia três campos de concentração: Auschwitz I, o mais conhecido; Auschwitz-Birkenau, o maior; Auschwitz III, o menor e menos conhecido. Tive a oportunidade de conhecer os dois principais palcos da maior atrocidade contra a vida, Auschwitz I e Auschwitz-Birkenau. Nesses campos foram mortos aproximadamente 2 milhões de pessoas, há que pense que o judeus foram o principal alvo da loucura de Hitler, mas a maior parte dos mortos nos campos de concentração foram os poloneses.

Bom, falando agora do livro: O Diário de Anne Frank é a publicação do diário que a pequena Anne manteve entre 12 de junho de 1942 até 1 de agosto de 1944, nesse diário ela escreve, principalmente, sobre a vida no esconderijo que abrigava oito pessoas (judeus) que se escondiam dos oficiais da SS.
Em seu diário ela conta as dificuldades de convivência vividas entre os “moradores” do Anexo Secreto, Anne vivia enclausurada com sua família (a mãe, o pai e a irmã), com a família Van Daan (o Sr e Sra. Van Daan e o filho) e um amigo das famílias, o Sr. Albert Dussel, fala sobre como era viver no silêncio para não serem descoberto, relata os momentos de horror que passaram quando quase foram descobertos, faz citações sobre os sons que a guerra levava para o esconderijo, conta sobre seus terríveis pesadelos com as amigas que, talvez, não conseguiram encontrar um refúgio, e fala sobre como a amor (se que uma menina de quinze anos sabe o que isso significa) pode nascer em um pessoa que no primeiro momento lhe parecia sem conteúdo.

Em seus primeiros registros Anne parece ser um tanto quanto mimada, e no começo é possível sentir certa aversão sobre seus comentários e sobre ela própria, mas o interessante é ir descobrindo o amadurecimento forçado dessa garota durante os anos que passou escondida. É claramente visível que a menina  que havia se escondido em 1942 já não era a mesma 1944. O fato de ter que viver sem ter infância fez com que se tornasse “adulta” precocemente, assumindo sentimentos que só adultos deveriam sentir.

Anne e os outros ficaram escondidos em uma área isolada da fábrica na qual seu pai era dono, o Anexo Secreto está localizado na cidade de Amsterdã e hoje abriga o museu Anne Frank. Em minha estada na Europa passei em frente ao museu, mas como não conhecia a história não me senti atraído em enfrentar a fila monstruosa, hoje me arrependo muito disso!

Em 4 de agosto de 1944 oficiais da SS encontraram o esconderijo de Anne (foram delatados) e todos os “moradores” foram levados presos e posteriormente transferidos para os campos de Auschwitz. Anne e a irmã foram transferidas para outro campo de concentração (Bergen-Belsen) onde morreram de tifo poucas semanas antes da libertação do campo pelos Aliados. O único sobrevivente foi o pai, Otto Frank.

Otto Frank voltou para Amsterdã ainda com esperanças de ver sua família. A amiga que os ajudava no esconderijo, Miep, guardou o diário de Anne e o entregou para Otto quando ficou confirmada a morte dela. Otto, então, dedicou-se a propagar a mensagem contida no diário de sua filha. Otto morreu em agosto de 1980, hoje quem se encarrega disso tudo é a Fundação Anne Frank com sede em Basiléia, Suíça.

Existem filmes sobre o diário, o primeiro foi lançado em 1959 e em 2001 foi feita uma refilmagem e obviamente tive que assistir (um tanto toscos, mas retratam bem o livro). Outra adaptação do livro para as telas foi um documentário que retrata o diário e ainda vai além, nesse documentário é mostrado um pós-diário que foi produzido a partir de depoimento de Otto e de sobreviventes que conviveram com os Frank durante o período que estiveram nos campos de concentração. MUITO BOM e muito triste!

Vou deixar aqui, também, o único vídeo em que Anne foi filmada, ela aparece no parapeito de uma janela.

Espero ter conseguido inspirar os que ainda não leram esse ícone da literatura mundial!

Referência:
O Diário de Anne Frank: edição integral – 29ª edição – 2010 – Editora Record
Tradução de: The diary of a young girl

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