Cultura

Freud (nem sempre) explica!

Depois de mais de um mês sem postar nada volto aqui mais uma vez, confesso que foi mais por preguiça de escrever do que qualquer outro motivo! Todos estão sujeitos a isso, quer melhor coisa que sentir preguiça e poder não fazer nada? Nem sempre podemos nos dar ao luxo disso, mas de vez em quando faz muito bem. Não se sinta culpado por ter preguiça, pense de outra forma. Você está apenas dando break em sua maldita rotina!

Mas o assunto aqui não é preguiça, o assunto aqui é: Freud (nem sempre) explica!
Quem nunca ouviu a frase “Freud explica!” quando algo muito tosco acontece com alguém? Pois é, uma das teorias Freudianas está fundamentada numa palavrinha – quase um palavrão – chamada determinismo, mas que diabos é o determinismo?

Determinismo (do verbo determinar, do latim determinare: de – prefixo de negação – e terminare – terminar, limitar, finalizar – assim determinare significa literalmente “não-terminar”, “não-limitar”) é a teoria filosófica de que todo acontecimento (inclusive o mental) é explicado pela determinação, ou seja, por relações de causalidade. O que acontece no presente é resultado de uma causa decorrente no passado.

Já me adiantando, não quero de longe bater de frente com Freud. Suas teorias são aceitas no mundo todo. Ele é o cara a quem chamamos de “pai da pscicanálise” e eu apenas um Zé-Ninguém que não concorda que tudo que foi dito por ele seja verdade absoluta.

Caraca, nunca me imaginei tentando compreender psicologia ou psiquiatria, na verdade nem imagino qual é a diferença dessas áreas e palavras. O que me motivou a escrever sobre esse tema é o fato de usarmos o determinismo para explicarmos qualquer ocorrido em nossas vidas.

Parece meio complexo de se entender, mas a questão é que a teoria determinista vai de encontro ao livre-arbítrio, ela prega que tudo está desenhado desde o dia que nascemos até o dia em que iremos empacotar e que tudo está interligado, açoes, ambientes e pessoas fazendo o direcionamento de vida de um individuo.
Para mim isso é uma tremenda balela, na verdade é uma muleta pra explicar cagadas cometidas.

Vou citar um exemplo: “O alcoolismo é uma doença genética que passa de pai para filho” isso é um fato comprovado cientificamente, então o cidadão utiliza disso para: “Eu sou alcoólatra por causa de minha genética, meu pai passou essa doença para mim e por isso estou aqui nessa calçada largado, vomitado, exalando cachaça e sendo beijado por um cachorro, não é uma escolha minha!”. O alcoolismo é provocado pelo livre-arbítrio, o cidadão pode ter o gene de predisposição ao alcoolismo, mas ativar esse gene é uma opção que o cara tem quando ele chega ao balcão do boteco pela manhã e pede aquela dose de rabo-de-galo, ele não poderia pedir um café? Isso é a chamada muleta conhecida, também, como biodeterminismo.

Partindo, agora para o lado criminal. Muitos crimes cometidos são explicados através do determinismo, nesse caso é o determinismo psicológico, isto é, o cara apanhava do pai e por isso entrou atirando numa escola. Não vou entrar nesse mérito, pois acredito que existam psicopatas que usam o passado para explicar atitudes presentes. E isso sim é psiquiatria! Loucos desvairados são realidade da sociedade.

O ambiente também influencia as pessoas, mas influencia aqueles que querem se deixar influenciar. O moleque da favela não entra pro trafico por que está cercado de traficantes, ele entra para o trafico por que ele vê o dono do morro cheio de grana e quer ser como ele. Ora, pois o moleque tem o livre-arbítrio para escolher sua profissão, certo? Isso é tão verdade que na favela, aquele antro criminal, existem pessoas muito do bem que não se deixam influenciar pelo determinismo sócio-ambiental presente no dia-a-dia do morro. Freud não explica isso!

Li um livro certa vez, não vou me lembrar o nome, mas falava algo sobre comportamento em campo de concentração (quase não gosto de assuntos da segunda guerra!). Sabendo, hoje, como eram os campos de concentração nazistas (sujos, faltava comida, faltava água, faltava tudo menos opressão, violência e desrespeito à vida) teríamos Freud explicando o comportamento animalizado uniforme dos presos devido ao determinismo do ambiente, isto é, por Freud todos os presos iriam digladiar por melhores condições individuais, para Freud o ser humano quando colocado em situação extrema teria seu extinto mesquinho de sobrevivência aflorado. Nesse livro existe um relato de um sobrevivente dos campos de Hitler e realmente tudo era muito difícil, permanecer vivo era um ato de bravura. Havia a fome, o excesso de trabalho, a falta de higiene, a sensação de que todo dia seria o último dia. Ele contava que viu pessoas distintas se tornarem porcos lutando para sobreviver (como Freud havia previsto), mas que também viu pessoas mostrando o lado mais bondoso do coração humano, pessoas se doando para ver outro alguém melhor que eles próprios. Isso é livre-arbítrio, você tem a escolha de ser um porco egoísta ou uma alma caridosa e que sabe que o coletivo era melhor que o individualismo naquelas condições.

Tudo parece um tanto impalpável e acredito que seja mesmo, explicar comportamento é algo que não existe consenso, o certo é que, para mim – se você não é um acéfalo – todos temos e fazemos escolhas e dessa forma comandamos o rumo de nossa existência. Colocar a culpa de acontecimentos no determinismo freudiano é característica de pessoas com personalidade fraca, homem que é homem dita seu próprio rumo. (Também vale para mulheres.)

Termino esse post com a seguinte frase:

“Cada um é aquilo que deseja ser e não aquilo que somos forçados a ser!”

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